Saúde Financeira

by on agosto 2, 2013

Antes de começar, peço alguns minutos da vossa atenção para descobrirem que sou eu. Acreditem isto fará uma diferença enorme.

Meu nome é Marcus Vinicius Flora, sou contador, com registro ativo no CRC – Conselho Regional de Contabilidade, atuo na área contábil/financeira desde 2002 e atualmente trabalho em um colégio de grande porte da capital paulista.

Sou faixa preta de judô, dou aulas nos finais de semana, atuo como Coordenador de Eventos da Federação Paulista de Judô e publico também alguns artigos sobre esta modalidade.

Bem, agora vamos falar de finanças? Até porque é por isso que vocês estão aqui.

Primeiramente, deixo claro que o que vou falar não deve ser tomado como verdade absoluta, nem como instrução a ninguém. É apenas a minha opinião e meu modo de ver o mundo financeiro.

A pergunta mais comum que ouço é: “Vale a pena investir em ações?”

Claro que vale, você observa, observa, observa, depois observa mais um pouco só pra ter certeza que está fazendo a coisa certa, depois pergunta a umas 10 pessoas do ramo o que acham de determinada ação, aí vai lá aplica e recebe os lucros. Parece fácil não é mesmo?

Mas não é tão simples assim, acreditem. Conheço pessoas que na ansiedade de ganhar fortunas, também perderam fortunas. Mercado de ações é algo muito variável, precisa estudar bastante e aplicar/resgatar na hora certa.

Essa pequena resposta a respeito desta pergunta que me fazem com freqüência foi só para vocês terem ciência de que com dinheiro não se brinca.

Agora que você já sabe que para aplicar seu dinheirinho precisa ter cuidado, sua próxima pergunta talvez seja: “Mas Marcus, se ações são perigosas para quem não tem tanto tempo para estudar este ramo, como eu que trabalho, estudo e cuido da casa, então posso aplicar numa poupança, num CDB, renda fixa, etc?”

Aí eu respondo com uma palavra fundamental que aprendi com um excelente professor: DEPENDE!

Para aplicar, você precisa TER. E nos dias, a menos que você seja chegado dum político, jogador de futebol ou cantor de sertanejo, você vai ter que trabalhar para TER o dinheiro. E trabalhar por dinheiro significa nada mais nada menos que vender o seu tempo. Você vende o seu tempo (geralmente diurno) e sua força/intelecto em troca de salário. Aí sim você TEM.

Aí você me diz: “Opa, agora sim, já posso investir” e eu respondo com aquela palavra fundamental que já lhes disse: “DEPENDE”. Calma gente chegaremos lá…

Imagine que você tem aí um salário de R$ 1.200,00, que é a média do Brasil. Se você é solteiro e mora com seus pais e ainda por cima considerando que não precisa ajudar em casa (água, luz, telefone, etc.), diminuído os descontos do salário vão sobrar aí uns R$ 950,00. Se você paga uma faculdade de R$ 500,00, e eu sei que você paga, pois se não estiver no mínimo no 3º ano amigo, esquece este salário, pois num país como o Brasil, onde o nome da instituição conta muito mais que o seu conteúdo, você PRECISA sim estar numa faculdade para receber um salário desses.

Voltando às contas, os seus R$ 950,00 já caíram para R$ 450,00. Você é solteiro e com certeza recebe vários convites pra balada, festas, happy Hour, etc. Se você for bem pão-duro digamos que você gaste R$ 50,00 por final de semana com estes eventos. Opa, R$ 200,00 a menos. Seus R$ 450,00 já viraram R$ 250,00.

Agora me diga, como você vai investir se só te sobra R$ 250,00 por mês? Isso é claro se não ocorrer nenhum imprevisto né?

E aí? Vamos mudar este jogo??? Você com certeza já deve ter ouvido aquele famoso jargão: “Dinheiro chama dinheiro” e amigos, digo com sinceridade, isto é a mais pura verdade.

Então vamos melhorar aquele salário de R$ 250,00 por mês?

Lembra-se da minha apresentação no início do texto? Pois bem, eu digo isto a TODOS que me perguntam o que faço da vida, pois quando me apresento de forma completa, mostrando minhas qualidades e atributos, de forma simpática e amistosa, abro portas para as oportunidades.

Além de uma boa apresentação, ter um bom conteúdo ajuda muito. Há 20 ou 30 anos o mercado era favorável para as pessoas que tinham o diploma do 2º grau, há 10 ou 15 anos, dos graduados. Hoje em dia amigo, pós-graduação é quase que obrigatório.

Aí você pensa: “Para ter um bom salário, eu preciso estudar sempre, mas se pago faculdade/pós-graduação não me sobra nada.” Fato, isto ocorre mesmo, mas só no começo. Assim que você aplicar sua boa apresentação e seu excelente conteúdo as empresas irão investir em você camarada. Acredite, batalhe.

Bem, vamos supor que você se deu bem e trabalha, ou melhor, vende o seu tempo a um valor bem alto e conseguiu um bom salário. Vamos fazer agora as aplicações?

Antes de qualquer coisa, entenda que o dinheiro aplicado NÃO FAZ PARTE do seu recurso mensal para continuar na luta. Não adianta você aplicar na segunda-feira e ter que resgatar na quarta para pagar uma conta de telefone. Os investimentos precisam ser estudados e realizados com planejamento prévio. Faça um orçamento antes de tudo.

Coloque numa planilha o que é certo que você vai receber e TUDO o que irá gastar. Não preciso avisar que este orçamento precisa ser anual certo? Em janeiro amigo você precisa saber o que vai receber/gastar até dezembro. Eu por exemplo faço orçamento plurianual (quatro anos).

Feito o orçamento, já sabemos quanto vai lhe sobrar no final de cada mês. Agora é só pegar este dinheiro que sobrou e aplicar? DEPENDE.

Quanto você espera lucrar com suas aplicações? Muito? Então ela não pode ser baseada nas sobras. Quando você estiver fazendo seu orçamento, coloque o item investimentos logo abaixo das receitas, ou seja, seus investimentos serão uma “despesa” mensal. A vantagem é que o dinheiro não foi embora, ele está guardado (e rendendo) em outro lugar.

Depois você coloca suas outras despesas e FAÇA com que suas despesas (incluindo os investimentos) sejam menores que suas receitas. Isto é de fundamental importância. Mas FAÇA isso acontecer, corte o desnecessário. Entenda que você não precisa de um pacote de 300 minutos no celular, você não precisa de pay-per-view pra assistir Big Brother e todo o campeonato brasileiro. Você não precisa comer pizza todos os finais de semana, você não precisa ter 26 pares de sapatos e 8 bolsas diferentes (essa é para as meninas).

Agora que você já orçou seus investimentos vamos à melhor parte, onde e como investir.

Primeiramente FUJA agressivamente dos famosos PICs que seu gerente tenta lhe empurrar. Isso não dá dinheiro. Se você vai começar com pouco, comece onde o rendimento é certo, poupança, que rende em média 0,6% ao mês. Pode até parecer que 0,6% seja pouco mas, veja bem, quem trabalha 35 anos, ao se aposentar, recebe em média R$ 3.600,00 por mês atualmente. Entretanto se você colocar R$ 100,00 (apenas cem reais) por mês numa poupança, neste mesmo período de 35 anos, sabe quanto você terá? Incríveis R$ 189.000,00.

Mas você não vai ficar só na poupança. Uma das formas de aumentar os rendimentos é pulverizar seus investimentos, dividi-los, diversificá-los. Assim você poderá inclusive barganhar melhores taxas de rendimento com seus gerentes. Partindo da poupança, pesquise alguns produtos como CDB e Renda Fixa. Estes possuem uma variedade grande de aplicações com baixo risco, ideal pra quem está começando. E de pouco em pouco seu dinheiro vai aumentando.

Veja, só até aqui você já tem dinheiro na poupança e em dois fundos de aplicação. Cada um com seu rendimento para você analisar onde está ganhando mais e tomar suas decisões.

Agora que você já acumulou uma quantia considerável, vamos aumentar a diversidade e consideravelmente os rendimentos? Eu tenho quase certeza que você leitor enquanto lia este texto, abriu uma nova aba no seu navegador e foi pesquisar as taxas de poupança aí do seu Itaú, Bradesco, Santander, etc., e você está certo. Mas apenas até aqui hein. Estes são os famosos bancos de varejo.

Procure não investir muito dinheiro nestes bancos, só enquanto seu dinheiro for pouco, mas à partir do momento que você tiver aí uns R$ 1.000,00 reservados para investimento, coloque num banco especializado em investimentos, eles oferecem taxas muito melhores que os bancos de varejo e em alguns deles você sequer paga imposto, taxas ou tarifas.

Mas lembre-se, o seguro morreu de velho. Não vá tirar todo o dinheiro da poupança e aplicar em outro lugar só porque rende mais. Procure diversificar, mas mantendo pelo menos uma garantia. Lembre-se dos R$ 189.000,00 mencionados anteriormente. Ok?

Bem, por enquanto vou ficando por aqui e deixo-lhes um último recado.

Não quero fazer nenhuma apologia à religião, vou apenas dar um exemplo. Quem acredita em Deus, Buda, ou qualquer entidade semelhante com nome distinto vai entender o que digo.

Para ilustrar vamos usar o nome Deus mesmo ok?

Se você pedir saúde, felicidade ou dinheiro a Deus, você acha que Deus lhe dará saúde ou a oportunidade de ser saudável?  Felicidade ou oportunidade de ser feliz? Dinheiro ou oportunidade de ter dinheiro?

Portanto meu amigo coloque um sorriso no rosto, apresente-se adequadamente, invista em seus estudos e o mais importante, “levanta-te e anda”.

 

Até mais, um forte abraço

Marcus Vinicius Flora

www.marcusflora.com.br

Deixe uma resposta